segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Mais uma vel(h)inha

Talvez seja a ausência de rugas que me permita pensar assim, mas envelhecer é um máximo!
Aí, essas pessoas do mundo que ficam aí se esticando não sabem mesmo observar o que o tempo é capaz de proporcionar. Já faz algum tempo que censuro essa postura, à lá Peter Pan, de querer incessantemente a juventude - possivelmente por ver, pessoalmente, o estrago que isso causa - mas o fato é que querem. O medo moderno é o medo da velhice, e aí as pessoas passam a vida na academia, deixam de comer coisas inacreditavelmente deliciosas e gordas, combatem tudo o que é natural e se adquire com o tempo - de cabelos brancos a pneusinhos - em nome da tão falada juventude.
Se for pra ter a juventude das capas de revista, eu não quero. Não mesmo que a felicidade pode estar restrita a isso. Pílulas da juventude, peelings, máscaras, tratamentos, roupas jovens, músicas jovens, o carro dos jovens, a vida dos jovens. Não, a vida dos jovens deve me bastar enquanto eu for jovem e na medida em que eu for capaz de ser jovem.
O mais engraçado é que ter me descoberto, recentemente, uma jovem não me fez temer a velhice.
Não sei se vou cultivar uma cabeça branca, mas cada dia mais tenho sede de viver o dia que vou poder olhar e ver tudo como parte de mim, e que as crises são reduzidas a um simples pranto, lamento, ou nem serão lembrados O dia que algumas rugas e a pele flácida nada serão, pouco efeito terão, diante de tudo que sou, vivi e construí. Quero o dia que o sol, quero andar sob o sol.

Só não quero nunca me perguntar "onde estão os dias de felicidade?" e constatar, ou dizer: "antes desses".

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