Ai, eu disse que é difícil escrever quando se está bem, mas isso é tão injusto comigo e com a vida. Afinal, por que ter registrado os momentos de tristeza, apreensão, dor e angustia e esquecer as tardes de domingo que deveriam se estender e durar mais que uma tarde? Quero um dia, quando se tornar lembrança poder acessar isso, ter um caminho que me conduza até esses dias ensolarados e quentes.
Não é que eu vá esquecer o que tem acontecido, mas por que não registrar e poder voltar aqui nesse dia e momento? Se a idéia é não perder lembranças o melhor é tratar de escrevê-las.
Quer coisa mais triste que viver com quem só reclama, sempre tem problemas e nunca nada está bom?! E deixar de anotar, meio que me dá a impressão de que estou fazendo exatamente isso: reclamando do que tenho tido, dos dias de sensação de andar de bicicleta com o vento no rosto, esquecendo disso. Eu nem pensava em ter que esquecer você e, confesso, não penso e não pretendo esquecer.
Apesar de toda a chuva que tem caído, os dias tem tido tanto sol, tanta cor, tanta vida, tanta poesia e tanta música que é um pecado dos grandes não compartilhar. Sem nomear o santo, posso muito bem narrar da joaninha vermelha, das coincidências, da disposição e alegria aos sábado e domingos de manhã, simplesmente porque haverá a tarde.
As vezes, passa-se tanto tempo buscando a alegria de viver, perseguindo ela como se fosse um algo que se encontra. Tolice, ela está ali, no tédio bem vindo, no silêncio compartilhado que não incomoda, no olhar que nos desvela e invade, simultaneamente (?)!
Então é isso, se antes eu conseguia ver os problemas nas coisas agora vejo as alegrias, se antes escrevia das tristezas posso, teoricamente, muito bem escrever das alegrias. Que seja assim, amém!
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