Quanto tempo me resta?
Quanto tempo me resta para fazer as coisas que quero, viver a vida que sonho, sentir os cheiros que passam e o gosto que nem suponho existir?
A pressa nunca me pareceu a melhor das companhias, mas a espera indeterminada já me acompanhou por tempo suficiente. Ha-ha "tempo suficiente" qual é mesmo a minha idade?! Mas o tempo não se mede em anos, essa foi uma invenção do homem só pra facilitar a contagem das coisas e o controle, possivelmente, eu diria, por alguém que se configurou como um dos primeiros egoístas de marca maior. Ele deve ter sido o primeiro a querer dizer, como quem canta uma grande vantagem, que tinha alguns animais, alguns metros de terra, muitos dinheiros no banco, um bom nº de filhos, alguns carros, e outros tantos vários objetos.
Pena que ele se perdeu. Deveria, na verdade, ter contabilizado as cores do dia, os aromas das comidas, os sorrisos sinceros, os beijos roubados, dados e recebidos, os abraços apertados, as tarde de céu cor-de-rosa... A sensibilidade não é algo que se possa abandonar ou esquecer na gaveta. Deve nos acompanhar, sempre, a todo lugar e momento. E quando nos sentirmos como quem não sente mais, como um ser que apenas passa pelos dias, um após o outro, como se isso fosse viver.. é, algo está muito errado por aqui.
Esperar o momento de viver é outro ato comum, fica-se esperando que o próximo dia, mês ou ano, venha com toda a felicidade ainda não vista, como criança que espera o Papai Noel. E aí, Le Petit Nicolas, já disse o quanto é duro esperar o Natal...
"Quanto tempo me resta?" é a pergunta errada. Deveria me perguntar é "como viver o tempo que me resta?". A vida quantificada, medida e calculável não me prece ser a das melhores... Eu quero a qualitativa.
Busco poder dormir em paz, satisfeita com as pequenas - ou seriam grandes? - conquistas e prazeres vivenciados diariamente. Tenho conseguido. Cores, toques, sons, sentimentos conciliados de forma incrivelmente fantástica e com vários pequenos natais.
"Cem anos medianos, ou cem dias intensos?", essa não é, definitivamente, uma pergunta que eu leve a sério. Não sei qual caminho é o mais fácil, ou o melhor, se é que ele existe. Só sei que se forem mesmo caminhos diferentes, quando for a hora de escolher, acredito que não vou vacilar: que sejam cem dias, desde que eu possa sorrir sem culpa!

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